indústria 4.0 - TrabalhadorO termo indústria 4.0 nos remete à evolução. Evolução de um cenário onde tínhamos um conjunto de sistemas simplesmente conectados entre si para um cenário onde essa conexão trás também inteligência ao negócio. Em uma visão superficial, a indústria 4.0 é enxergada como a simples implementação de novas tecnologias que envolvem, por exemplo, Internet das Coisas (IoT), computação em nuvem, inteligência artificial para processamento de dados, impressão 3D e big data.

No entanto, a revolução proposta para a indústria vai além dessa implementação de novas tecnologias. Ela visa a promover mudanças na forma de pensar os ativos industriais e em como implantar modelos de negócio inovadores que permitam as organizações atuarem de uma forma mais eficaz e assertiva, moldando-se rapidamente frente às necessidades do mercado.

Princípios para os sistemas inteligentes de produção

Cinco são os princípios para o desenvolvimento e sedimentação da indústria 4.0 mundialmente. Eles são as bases para os sistemas inteligentes de produção que já estão se moldando e tendem a tomar forma ao longo dos anos seguintes. Os princípios são:

  1. Operação em tempo real
  2. Virtualização
  3. Descentralização
  4. Orientação a serviços
  5. Modularidade

Em linhas gerais, explicando as características de cada uma dos 5 princípios citados acima, temos o seguinte: Pode se entender que a aquisição e tratamento dos dados tende a se dar de forma instantânea permitindo que as tomadas de decisão também se deem praticamente em tempo real.

Isso faz com que os modelos de produção passem a ser descentralizados e modulares. Descentralizados, pois as tomadas de decisão poderão ser feitas de acordo com as necessidades de produção pelo próprio sistema de controle. Modulares, pois a produção passa a ser de acordo com a demanda, acoplando e desacoplando módulos de produção, o que permite que cada esforço de máquina seja mais balanceado e voltado para demandas específicas.

A virtualização se dá através de modelos matemáticos que representam as máquinas ao longo da linha de produção, além dos sensores espalhados pela planta que permitem rastreabilidade do processo e monitoramento remoto da produção.

Tudo isso leva a indústria 4.0 a se orientar à serviços e não mais a só produtos. A serviços, pois cada etapa de produção, cada módulo, terá seu custo de operação inerente e poderá ser medido de forma isolada fazendo com que este tipo de orientação seja melhor acompanhado, pois não depende apenas daquilo que está sendo produzido, uma vez que determinada linha de produção pode se adaptar facilmente para atender a produção de novos tipos de produtos.

Desafios no Brasil

De acordo com a CNI (Confederação Nacional da Indústria), existem no Brasil vários obstáculos a serem superados para que a indústria 4.0 tome de fato lugar de destaque. Em seu documento, “Desafios para a indústria 4.0 no Brasil” publicado em 2016, ela defende que o conceito de indústria 4.0 envolve todas as etapas da cadeia de valor: desenvolvimento de novos produtos, como projeto, desenvolvimento, testes e até mesmo a simulação das condições de produção, até o pós-venda, incluindo manutenção.

Ou seja, todo o modelo de negócio deve ser repensado para que a 4ª revolução industrial seja efetivamente implantada no Brasil. As empresas que tardiamente se adaptarem a essa nova realidade incorrerão no risco de não conseguirem sobreviver no novo ambiente competitivo. Aquelas que mais cedo se adaptarem ao novo paradigma terão mais chances de sucesso, uma vez que este movimento demandará a reinvenção das formas de atuação de cada empresa perante o mercado.

Principais impactos da indústria 4.0

Em uma pesquisa realizada pela McKinsey em 2015, mundialmente, são esperados os seguintes impactos na indústria até 2025:

  • redução de 10% a 40% nos custos de manutenção de equipamentos;
  • redução entre 10% e 20% do consumo energético;
  • aumento de 10% a 25% da eficiência do trabalho.

Espera-se com estes impactos um giro econômico entre 4 e 11 trilhões de dólares por ano até 2025. Em outra vertente, alguns economistas defendem que a indústria 4.0 terá também impactos negativos no setor, principalmente sobre o mercado de trabalho. Essa conclusão foi fruto de uma pesquisa realizada junto a empresários em 15 economias.

De acordo com o estudo, as novas tecnologias poderão extinguir até 7 milhões de postos de trabalhos nos países industrializados ao longo dos próximos cinco anos. A pesquisa aponta também que novos empregos serão criados principalmente para especialistas em informática e tecnologia. Mas esse número não será diretamente proporcional ao número de postos de trabalho extintos, já que estima-se que serão somente de dois milhões, significando uma perda de 5 milhões de postos de trabalho até 2020.

Em resumo, diante de todas as mudanças apresentadas acima que a indústria 4.0 vem trazer, podemos dizer que os principais impactos estão no âmbito da necessidade de readaptação dos modelos de negócio, pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, não esquecendo dos paradigmas referentes à segurança da informação que deverão ser reavaliados, a crescente interação máquina-máquina e a diminuição das interações homem-máquina, ficando essa última apenas nas etapas de tomada de decisão, e principalmente na necessidade de reformulação das formas de trabalho dos profissionais presentes na indústria atualmente.